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segunda-feira, 21 de maio de 2018


Sobre a educação, porcos e diamantes.


Pela qualidade de comentários de alguns professores que surgem nas minhas atualizações, percebo que o problema da educação de forma geral não é somente de salários (o que é um direito de todos!).

Mas alguns deveriam realmente mudar de profissão, já que ensinar é um dom que pelo visto nem todos têm, alguns deveriam ensinar aos seus alunos o que é democracia e politica e não apenas vestir uma bandeira partidária.

Existem falhas no âmbito municipal, estadual e federal, mas como boas "mulas" que somos (no sentido do carregar peso) observamos apenas a bandeira partidária, como se PT, PMDB e PSDB não tivessem as mesmas falhas e desvios de caráter.

A nobre profissão do professor parece estar contaminada por algumas pessoas que a usam como bandeira politica, para atacar adversários, expor fraquezas e nada mais.

Escolas continuam com condições precárias, materiais didáticos são atualizados de acordo com a bandeira que veste o partido politico que manda. E ao contrario do que manda a cartilha, cada vez se tira mais ao invés de se investir na educação.

O descaso e desmando tornou-se um problema crônico, tudo que é do âmbito publico no país esta em período de falência, é muito mais fácil deixar o interesse privado tomar conta, menos oneroso e da menos dor de cabeça.

A profissão de politico e de professor hoje em dia tem algumas coisas em comum, vira politico quem provavelmente não deu certo em outras coisas ou quer resolver seus problemas financeiros, da mesma forma hoje, algumas pessoas viram professores. Seja por falta de oportunidade de empregos bem remunerados ou a falta do próprio emprego aonde mora, acabam vendo uma oportunidade de não se incomodar e ganhar um fixo.

Ambos têm contato direto com a formação de uma sociedade, a diferença básica é o montante de dinheiro envolvido e que ainda existem bons professores que se dedicam de corpo e alma, pensando em moldar pessoas melhores, seres humanos de caráter, pequenos diamantes a serem lapidados.

Existem exemplos positivos e negativos na educação, não é necessário ir longe, vá até escola do seu bairro e observe o que esta sendo feito e ensinado, tente perceber se o ensino naquele local é uma obrigação ou é algo desenvolvido e pensado no bem estar daqueles que ali estão trabalhando e frequentando.

Devemos fazer o nosso melhor e não apenas o possível, enquanto lutamos por melhorias, fazer o básico qualquer um faz, a diferença esta sim, são poucos que tem coragem de ser.

Políticos são frutos da educação brasileira, os chamamos carinhosamente de ladrões, porcos e safados, seria essa a definição para nossa sociedade? Pois não chegaram lá puros, foram moldados pelo o que os rodeia. Ironicamente quem está ao seu lado é o cidadão comum, é o pai, a mãe e o professor.

Quando abandonamos algo, o deixamos de lado, esta coisa, fica com poeira, obsoleta e as traças tomam conta, o ensino no Brasil esta dessa forma, abandonado e como tal começa a ser tomado por pessoas sem interesse nenhum, sufocando aqueles que lá estão para lutar por algo melhor.

Como em outras profissões existem boas pessoas que se destacam e algumas de insistem em deixar uma imagem negativa. Existem dificuldades, problemas que somente quem está no dia a dia sabe que existe e tem que conviver.

Por muitos anos a sociedade tem sido fruto da educação (boa ou má), no atual momento que vivemos é necessário que a sociedade abrace o ensino publico, para melhorarmos não penas salários e bonificações, mas a qualidade do que é oferecido a alunos e profissionais que lá estão.

É preciso que professores entrem em salas de aula sem medo de serem agredidos, sem salas com 40 ou 50 alunos e que eles tenham ao menos um bom material para poder moldar o a mente e o caráter humano de quem está ali.

O problema da educação é muito mais grave que se mostra na tv, é muito mais grave que possivelmente algumas das pessoas que lá estão imaginam. É algo enraizado que necessita de cuidado imediato, não apenas de promessas de campanha nunca realizadas, o problema da educação hoje... Esta dentro de cada um de nós.

Pablo Danielli

sexta-feira, 18 de maio de 2018


Apaixone-se pelo gesto e não pelo objeto!

Deixe de lado as revistas e os blogs de beleza, o apelo da mídia por corpos definido como “perfeitos”. Não há motivos para simplesmente esquecer o ser e cultivar o ter, apenas uma marca, uma forma de esconder nossas carências afetivas.

O melhor sapato, o melhor perfume e a melhor roupa, itens que são esfregados em nossa cara como forma de ser uma pessoa melhor, custa tempo e vida para comprá-los, embora tudo isso se acabe com o tempo assim como nossos corpos.

Pratique esporte para ter uma vida saudável, vista-se para sentir-se confortável não simplesmente para sentir-se importante. Deixe o detalhe preencher este espaço, aquela falha (marca) que apenas você tem e lhe torna único.

Isto é o que deve realmente encantar, o gesto... E o resto não passa de item de colecionadores de decepções, de invejas, de lagrimas e rancores.

Um bom carro pode te levar a muitos lugares, mas somente os pés molhados pela chuva, fazem você lembrar-se de como é bom ser humano. Não há motivos de temer aquilo que nunca tivemos, nunca vivemos e nunca sentimos.

Desapegue-se do material e cultive o essencial, ninguém vive sem amor, sem carinho, o dinheiro abre portas, o abraço abre corações.
Cultive a mente, o coração e sorriso e não se preocupe com á lagrima deixe-a cair para semear.

Trouxemos para o mundo, apenas nosso corpo ao nascer e ao morrer nem ele levaremos, então que fiquem ao menos as lembranças, alimentemos a alma, porque o corpo, esse é objeto.


Pablo Danielli

quarta-feira, 16 de maio de 2018


A certeza do errado.

Em outros tempos, não muito distante desses vividos, existiam formas menos intensas e rápidas de comunicação. Telefone discado, carta e quando muito relevante a opinião de uma pessoa, (geralmente especialista) por meio de radio ou televisão.

Pois bem, a velocidade da tecnologia nos trouxe comodidades e meios aprimorados de comunicação. Novos pensadores surgiram, novas formas de diálogos se criaram e novos verbetes foram agregados ao dicionario.

Em um espaço curto de tempo a escrita sofreu variações que em décadas e seculos não havia passado. Porém o pensamento humano não acompanhou esta transformação, somos boçais ao pensar com um ferramenta de tecnologia de ponta. O resultado não poderia ser outro, se não o da completa falta de educação e respeito.

O teclado se transformou em uma metralhadora capaz de ferir mais gente por segundo que a guerra é capaz de fazer. A tela do computador é como um capuz aonde o ser se esconde para destilar ódio, raiva e disseminar criticas sem nenhum fundamento.

Mas a vida real não reflete a virtual ao menos não a luz do dia, somos cordeiros sem a tecnologia e lobos ao te-las em nossas mãos. Nunca se teve tantos especialistas sem diplomas em diversos assuntos como se observa agora, todos são juízes e ninguém gosta se ser julgado.

Tais fatos apenas mostram um caráter individualista, egoísta e pobre mentalmente do ser humano que somos, ao final de tudo somos todos animais irracionais. Somos bons em criticar, julgar e executar sem questionar.

Essa raiva toda contida e destilada nas teclas, a necessidade constante de estar certo, de massacrar o desconhecido com uma foto nas redes sócias, sem saber sua história, sem ter o conhecimento de suas dificuldades, sem ao menos ter a certeza do que se fala, demonstra um desvio de caráter e uma falta de compreensão do mundo em que se habita absurda.

O homem que reza na igreja é o mesmo que agride no estadio de futebol, a mulher que acaricia seu filho é a mesma que ofende a outra por causa da inveja, o jovem que aparentemente é um bom filho é o mesmo que usa da violência por não aceitar a escolha sexual do seu semelhante.

O tronco, o chicote e a algema apenas trocaram de forma, a faca o revolver e a corda apenas foram substituídos por uma rede inviável, usada para muitas vezes proteger o covarde que não tem coragem de faze-lo na vida real, assim o mundo virtual é um terreno sem lei, sem dono, um faroeste a moda antiga.

São tantos tipos diferentes de agressores, que a internet foi o único instrumento capaz de junta-los em um espaço virtual, para se enfrentarem em uma batalha diária de ofensas, irracionalidade e incertezas. Que a conclusão plausível que se pode obter é que a única certeza que se pode ver, é que todos estão errados.


Pablo Danielli

terça-feira, 15 de maio de 2018


A tempestade

Começa lentamente, sem fazer barulho, como uma chuva fina que toma aos poucos a cidade. Um murmúrio que pouco a pouco ocupa os espaços e seduz os ouvidos. Sem se dar conta de que o tempo passa e mesmo assim tudo parece estático, sem movimento, sem vida, apenas olhares fixos e fiéis, em vislumbrar o nada.

Existe alguns poucos que ao perceberem se levantam e caminham até a janela, apoiando no parapeito o que resta de dignidade e há quem diga é apenas mais um dia e continuam trocando passos com uma vida sofrida.

Mensageiros com palavras embriagadas que seduzem, pensamentos e objetivos que distorcem. Mentes que estão secas, não são capazes de manter a sanidade, tão pouco uma visão clara, pois a chuva, turva os olhos e a razão.

Erros que se repetem sem parar, sem pensar, muda-se os nomes, os motivos, troca-se símbolos mas a sede é a mesma, a vontade é a mesma e a luz temporária serve apenas para disfarçar a escuridão.

A chuva parece acalmar, saciar o ego de quem com um guarda-chuva, oferece abrigo, gestos sutis em forma de afago, para mostrar-se útil, deixando molhar apenas o que lhe convém. Escondendo sem que notem, a dependência que se forma, como um elo, entre vida e morte.

Em meio a tanto pensar… cala! Porque sabe que a palavra é mordaça, é arma para quem vive da força dos outros, para aqueles que ouvem a chuva e distorcem o trovão. A tempestade abafa as palavras, e sem elas acaba-se lentamente perdendo a sensatez.

O que era suave se torna agressivo, o que era apreciado, se torna motivo de medo, sem se dar conta, a água que traz consigo vida, também é capaz de causar morte.

Os becos começam a ter seus espaços tomados, pobres miseráveis a margem de tudo, são levados a força. O que antes refrescava, agora pela quantidade de lamentos que trazem consigo, destrói.

Os murmúrios da cidade, que cercada por barreiras mentais, apenas se enxergam pichadas, palavras antes de ordem, mas agora com a realidade tomando as ruas, vilas e bairros, se tornam sem nexo. Frases que são levadas pelas águas, o que era esperança agora se torna caos.

Os corpos enrugados apodrecem lentamente, pois não é possível construir jangadas com ilusão, a festa que se fazia com o chuvisco agora é luto. Lentamente as vielas começam a secar, os prédios e árvores, castigados pela umidade começam a receber raios de luz.

Pessoas que se encontravam isoladas, sem noção do que acontecia, envolvidas pelo diluvio, aos poucos tomam as ruas. Os seres que vendiam as boas novas com a chegada da garoa, se encontravam acoados, dizendo não compreender a destruição causada.

Pessoas envolvidas antes pela seca, agora não desejavam mais sentir o sabor da abundante água. Os mensageiros ainda praguejavam suas doutrinas para que o vento ainda pudessem espalhá-las, em vão. Pois poucos desejavam se afogar em pequenos milagres que ouviram falar em velhas histórias.

Os livros e jornais não existiam mais, molhados acabaram perdendo a utilidade. Não havia registros do que aconteceu, tudo parecia aos poucos, uma lenda que se conta em conversas de terror. Mesmo que naquele momento, tais pessoas haviam compreendido que palavras suaves, não são capazes de compreender a dor.

Nunca mais se ouviu falar dos mensageiros, volta e meia algum visionário misturava palavras com o que aconteceu, tentando mostrar uma nova forma de saciar a sede. Em vão, pois corpos afogados apenas desejavam a dosagem certa.

Alguns murmúrios, soltos com o vento, correm as ruas insinuando que em algum outro lugar, ameaça ser tomado pela garoa que se torna tempestade. Mesmo que o tempo demonstre, algumas civilizações precisam passar pela ilusão. Para aprender a nadar é necessário não ter medo de se afogar.

Pablo Danielli

segunda-feira, 14 de maio de 2018


Caminhos tortos


A vida é como as margens de um rio e nós somos de certa forma a água que o preenche, somos levados por diferentes caminhos, sendo hora em momentos calmos e em outros tantos, cheios de pedras, quedas e sujeiras.


Conforme vamos avançando, tomamos espaços e lugares, em certos momentos e não raramente podemos nos juntar a outros rios, ganhar força, ficarmos maiores. Em tantos outros continuamos seguindo sós, aumentando ou diminuindo nossa capacidade, nosso volume conforme as margens nos permitem ser.


Quando somos influenciados pelo que nos cerca, podemos transbordar ou apenas secar. Durante este trajeto, as margens nos permitem ver cidades, pessoas, florestas, servir de fonte ou apenas descarte.
Um rio sabe onde nasce, mas não sabe aonde vai desaguar, pode ser uma represa ou um oceano, tudo vai depender do que as margens da vida nos reservar.


Pablo Danielli

segunda-feira, 7 de maio de 2018


[O direito de errar]

Há... Seres desprezíveis! Que visam sua própria comodidade, que fazem política barata e que exploram o povo. Com discursos aveludados, que com uma mão acariciam enquanto com a outra tiram... Sim, esses seres de moral celibatária, inquestionáveis e que podem tudo em nome de um único propósito, cada dia que passa me convencem mais e mais de que são os donos da verdade, do mundo e da sociedade.
Classes opressoras que fazem política doutrinadora nas escolas, que invadem casas, bairros e cidades com falsos pretextos de salvadores. Há... Se nossa ignorância não fosse tão grande!
Ao povo o que é do povo, aos políticos o que ao povo já não pertencem mais, e para os donos dessa moral inquestionável, toda nossa dignidade e vergonha por optar pensar de forma diferente da deles.
O direito do erro, agora pertence somente aos cães raivosos com falso discurso moralista que prega a paz. O direito de tomar, de matar em prol de um discurso comum, de um ideal comum, é apenas desses seres que espumam “sabedoria” pelas suas mandíbulas sedentas de capital opressor.
Com um discurso que não tem sustentação pratica, com militantes que não praticam o próprio dizer, parece que apenas o que importa é ouvir o som da própria voz.
O que importa é distorcer feitos históricos de suas doutrinas, esconder os esqueletos em baixo de camas de quem não tem a mesma fome de poder.
Vocês que tem uma luta histórica, que transcende décadas, apenas vocês tem o direito de errar, de poder dizer que pessoas não souberam aplicar sua doutrina e continuar a espalhar miséria e fome por onde passam.
Mais uma vez, a tentação do poder, do dinheiro fácil por meio de países subdesenvolvidos bate à sua porta. Uma vez mais sua razão histórica faz aflorar o desejo de controle absoluto do gozar da vida.
Como uma praga que toma de assalto qualquer lugar que tenha recursos dos quais possa aproveitar, acabando com os recursos naturais e com o trabalho das pessoas, uma peste negra que tira até a última gota de vida e suor de quem ali se encontra, sem força para se levantar.
Depois procura outro pais para impor suas ideologias, assim destruindo qualquer possibilidade de vida, com o discurso de que por onde passou não deu certo porque as pessoas não souberam aplicar suas ideias puritanas.
Sim fantasma silencioso, é apenas teu o direito de errar, porque nas páginas da história não passas de um sombra que cobre a visão de pessoas desavisadas. Tenta se reinventar com o passar dos anos, tenta abraçar causas que nunca foram tuas na expectativa de arrebatar novos “fãs”.
Mas assim como uma febre que acaba quando medicada, tua doutrina se esvai pelos segundos, horas e dias da história, pelo simples fato de que um dia todos terem que trabalhar para ter o próprio sustento.
Mas sim caro fantasma, tua moral é questionável, o teu direito de errar é questionável, porque nasceste de um ser cuja única tarefa de vida foi viver da desordem e da sombra de outros.
Há se teus seguidores e árduos defensores fingissem não saber de tua vocação parasita, de teus muitos líderes sem escrúpulos e assassinos, talvez assim o direito de errar fosse dado a nós cidadãos comuns, talvez a moral a ser questionada não fosse a nossa e sim a qual vocês ousam dizer ter direito.
A única revolução possível é feita pela liberdade do ser e a coleira a qual usufrui, parece ser apertada demais para o atual mundo em que vivemos.
Então porque como um derrotado, insiste em permanecer na cabeça de falsos “profetas” que apenas usam do dinheiro público, escondendo suas fortunas dos olhos dos outros, para não ter que dividir com o próximo?
Livra o mundo de tuas correntes, elas impedem as pessoas de buscarem vida aonde só existe miséria e morte, alivia o próximo do peso de tuas ferramentas, não percebe que teu rancor, transforma tudo em dor?
Mas eu sei, que enquanto existir mentes manipuláveis, pessoas com fome de poder, tu ainda há de existir! Não tenho dúvidas de que enquanto houver governos corruptos, com líderes sem escrúpulos, tu ainda há de existir!
Não tenho dúvida de que enquanto existir pessoas com o intuito de sugar da máquina do estado, sem precisar mover um dedo para isso, tuas lembranças continuarão a rondar. Por que, enquanto vozes que deveriam falar se calam, diante da tua opressão e nada fazem, teu fantasma ainda continuará assombrar.

Pablo Danielli


segunda-feira, 30 de abril de 2018


[Cajado]

Viramos as costas para o mundo
Viramos as costas para a cidade,
Viramos as costas para o nosso bairro.

Viramos as costas para os nossos vizinhos
Deixamos de nos importar com os problemas,
De desconhecidos, amigos e familiares.

Deixamos de querer sofrer pelo próximo,
Fingimos não ver o reflexo no espelho...
Porque nos assusta a ideia de nos vermos sem fantasias.

É mais fácil ignorar
Deixar a luz do corredor acessa,
Do que ir de encontro ao problema.

Criar barreiras invisíveis,
Para que a esperança, fique somente em nós.

Deixamos de ser luz,
Para sermos pequenos pontos, em mares não navegáveis.

[Deixamos de ser cajado
Para sermos rédeas.
Deixamos de ser poesia
Para sermos lei].

Deixamos apenas de ser
De crer, de querer, de fazer.
Deixamos,
Apenas deixamos,
De viver.

Afogamos
O que há de puro,
Escondemos o que nos faz real.

O espírito indomável
Agora segue ordens,
Em algum lugar.

[Deixamos de ser pão
Para sermos pedra...
Deixamos de ser candura
Para sermos intransigência].

Deixamos de sermos
Todos em um...
Parse sermos um,
Perante todos.

Escolhemos o lobo,
Para perdermos a face de cordeiro.
Decidimos pela malandragem...
Porque a bondade, é visto com descrença,
Em lugares dominados por tolos.

Viramos, reviramos, reinventamos...
Mas não somo capazes de preencher o vazio,
Sucumbimos ao ego e ao umbigo...
Delírios de um horizonte febril.

O corpo, vale mais que o caráter
O dinheiro, vale mais que a palavra,
O material, compra a honra...

E assim,
Vamos deixando
De ser...

Para ter.

Pablo Danielli



terça-feira, 27 de março de 2018

[J]

O que é a beleza,
Quando ela não é lugar comum?
Como um sorriso é capaz de encantar,
Mesmo não sendo perfeito...
É provável que o acaso,
Se encarregue de olhares perdidos?
Quantas vezes é possível
Ouvir uma voz,
E não perceber a melodia
Que ela carrega...
O coração que bate mais forte,
É indomável pela mente?
Quantas noites e dias,
São necessários para definir uma vida.
Sob o mesmo sol,
São feitas as mesmas ilusões?
Ir ou ficar
Seria possível,
Sem as certezas...
Que apenas os tolos tem?
O amanhã existe,
Para quem vive...
Ou quem tem esperança?
Lembranças, que o vento cruze novamente.


Pablo Danielli

segunda-feira, 19 de março de 2018


[Olhos castanhos]

Olhos castanhos
Que se escondem na noite,
Oceanos de sentimentos...
Que se perdem no tempo.
Suspiros rotineiros,
Espalhados na cama.
Desejo, chama!
Palavras sopradas pelos lábios,
Que se espalham...
Nas paredes vazias do quarto.
Mãos que tocam o ar,
Imaginando ser outro corpo.
As noites de outono
São como batidas na porta do coração,
Fazendo a pupila dilatar...
Imaginando uma nova paixão.

Pablo Danielli

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

[Poesia do fim]

Quantos infernos existem na terra?
Quantos abismos existem na solidão?
Quanto desespero cabe em uma noite?
Que quantidade de medo,
É capaz de afogar um coração...
Quantas vidas aflitas,
Se cruzam sem saber.
Quantos estranhos
Choram na mesma noite...
Por desilusão.
A voz da loucura
Faz as mãos tremulas,
Criar coragem...
Mas os pés fracos,
Tropeçam nos próprios pecados.
Quantas janelas, refletem os mesmos rostos.
Quantas ruas escuras,
Escondem as mesmas sombras.
Quantos sonhos mortos pela rotina...
Florescem ao amanhecer do dia.
O vazio do corpo.
O vazio da mente.
O vazio da existência.
Escondidos por entre prédios,
De uma cidade sem cor.
Cujo respiro de vida
Passa despercebido na mistura,
De concreto fé e suor.
O sol que castiga,
A lua que passa despercebida.
Por desejos que não se realizam...
Olhos abertos,
Que não são capazes de ver.
Bocas que proferem palavras,
Impossíveis de compreender.
E o que resta de humanidade,
Insiste em morrer.
A razão não se faz suficiente,
A emoção não é capaz de convencer.
Há tantas coisas perdidas sem perceber.
Que a fé, no fim...
Não é capaz de renovar a esperança,
Porque sempre existe o amanhecer.


Pablo Danielli

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